O Causo da Dama de Vermelho

CHARUTO COLOR

Distante 1989… O fim da década que nunca acabou. Pelas descidas e subidas da cidade, muitas pessoas estavam reunidas no popular “expresso beiçudo”: nome dado aos veículos de transporte coletivo da época em alusão aos largos para-choques que eram agregados às suas carrocerias.

Exprimidos entre uma centena de passageiros (num carro que deveria transportar no muito metade disso) os jovens amigos Porcão e Íbas saíram do alto Santo Antônio sentido ao Centro, objetivando o clássico parque de exposições. Havia pouco dinheiro no bolso, mas muita vontade de encontrar diversão. Apesar do desconforto, as coisas corriam bem até que o veículo dobrou a esquina abaixo da Igreja do Rosário e parou na recém finada Praça da Fonte para receber mais uma dezena de transeuntes. A coisa estava um aperto só.

Foi nessa hora que Porcão (apelido oriundo de sua predileção confessa pela carne suína) fitou no banco da praça, diante de sua janela, aquela inesquecível moça de pele rosada e longos cabelos castanhos lisos, esvoaçantes ao sabor do vento. Óculos estreitos, que lhe completavam ares de sensualidade sacramentados pelo justo e perfeito vestido vermelho longo de decote comportado. A garota se fazia toda em sorrisos, daqueles de encantar o mais gelado coração.

— Meu Deus! – Exclamou Porcão hipnotizado. — Que menina linda!

Essa Dona percebeu o boquiaberto caucasiano e sorriu para ele. Deitando a cabeça sobre o próprio ombro e brincando com os dedos às reluzentes madeixas, disse algo ao rapaz que não foi audível, óbvio, mas ele jurou de pés juntos que leu em seus lábios um: “ — Oi gatinho! ”

Porcão ficou louco, começou a empurrar todo mundo no desejo de alcançar a porta de descida do Ônibus e seu amigo Íbas tentou acompanhá-lo. Haviam muitas pessoas, pouquíssimo espaço, e o carro malvado caprichosamente avançou avenida acima para desespero do garoto. Porcão lutou muito e foi xingado de “N” nomes ruins até que na parada acima conseguiu descer do lotado coletivo junto ao amigo, e correndo desceu a avenida para encontrar a sua paixão relâmpago… Que não mais estava lá.

Quase 27 anos se passaram e ainda hoje Porcão se lembra da linda garota do vestido vermelho, que nunca mais cruzou o seu caminho.

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